Sepultura e Angra em Recife
Vou fazer um (não tão) breve relato sobre minhas impressões desse show. Espero que ao menos nada importante fique de fora.
Comprei o ingresso com duas motivações em mente: oportunidade de ver como o Angra atual fica com a volta do baterista Ricardo Confessori, e curiosidade de assistir a um show do Sepultura pela primeira vez. A primeira motivação teve como retorno a boa sensação de que o Angra está conseguindo se adaptar bem às mudanças. Nunca duvidei que o Confessori teria competência pra adaptar a maioria das músicas em que o Aquiles Priester usava toda sua técnica, mas a minha surpresa foi ver que ele encarou o desafio de tocar algumas músicas de forma bem semelhante ao original. Em alguns casos a pegada mais forte substituía alguns pontos mais característicos do Aquiles.
Outro ponto positivo do Angra: bela seleção de músicas, desenterrando “Silence and distance”, “Lisbon” e “Make Believe”, entre outras dos 3 primeiros CDs, e trazendo “Nova Era” , “Acid Rain”, “Waiting Silence” e “Voice Commanding You” dos álbuns mais recentes. Pontos negativos: o microfone de Edu falhou em umas 3 músicas, sendo uma das falhas bem prolongada. Outra coisa: acho que se não fosse a “cola” na caixa de retorno, Edu não conseguiria cantar nem 1/3 de “Silence and distance”, dava até pena do esforço que ele fazia pra ler
. O som da guitara de Kiko estava baixo quase o show inteiro, prejudicando os solos de muitas músicas. Enfim, já vi apresentações melhores do grupo, mas pra um retorno depois de 2 anos, a gente, que é fã, dá um desconto.
O fato do Angra “abrir” pro Sepultura pode parecer injusto para muitos fãs, embora numa turnê conjunta dos dois isso não signifique muito. Mas ao assistir a apresentação do Sepultura, uma certeza crescia pra mim: pelo menos no palco, os caras estão num nível acima. Som excelente, presença de palco cativante e músicas pra detonar 99% das más impressões que eu tinha da banda. Se o Sepultura era melhor com Max e Igor, como muitos choramingam por aí, eu não posso afirmar, mas que a formação atual tem uma competência e qualidade fora do comum, eu não tenho dúvidas.
Das músicas que eu já conhecia, tocaram “Territory”, “Refuse/Resist”, “Sepulnation” e “Roots, Bloody Roots”. Esta última, causando um grande furor na galera. Ainda destaco “Filthy Rot” , do álbum mais recente, “A-Lex”, como sendo um outro grande ponto alto do show. Pra encerrar, os integrantes das duas bandas se reuniram pra “Jam Session”, perguntando o que o público queria ouvir: “Led Zeppelin, Black Sabbath, Iron Maiden”? Porém as pedras já estavam “cantadas”. Como nos outros shows da turnê, eles tocaram “Immigrant Song” do Led Zeppelin, com Edu comandando o vocal na maior parte do tempo, e “Paranoid” do Black Sabbath, com Derrick tomando a frente (com vocal “limpo”, é bom enfatizar).
Uma noite boa, de festa do Metal nacional. Tomara que nas próximas décadas outras bandas possam comemorar uma carreira de sucesso como o Angra e o Sepultura vêm fazendo. Boas candidatas não faltam!
Nota de repúdio: Segundo notícia publicada no Diário de Pernambuco, alguém jogou um saco com urina no rosto de Edu Falaschi. Esse tipo de atitude é uma selvageria sem tamanho. Não gosta da banda ou do vocalista, não ouça, vá tomar sua cerveja, bater papo, até vaiar, dependendo do caso, mas não pratique essas agressões, que desrespitam uma pessoa e um profissional, e que causam prejuízos a todos.
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Massa cara! Valeu pelo relato!
abraço