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Motörhead em Recife

Publicado por rubens em 27 de abril de 2009 – 0:24Nenhum Comentário

Dentre as atrações do Abril Pro Rock 2009, sem dúvidas a mais aguardada era o Motörhead. Apesar de teoricamente a banda ainda estar divulgando o álbum Motörizer (2008), eles já avisaram que tocariam muitos dos grandes clássicos. Escolha justíssima para agradar o público que prestigiava pela primeira vez esse ícone do Rock mundial, que tem mais de 30 anos de carreira.

O trio começou o show “de sopetão”, pouco tempo depois que a Decomposed God encerrou sua apresentação no palco secundário do Chevrolet Hall. Um público de aproximadamente 5 mil pessoas logo aglomerou-se e já nas duas primeiras músicas (Iron Fist e Stay Clean) não dava pra ficar a menos de 15 metros do palco sem ser levado de um lado para o outro pelos headbangers que agitavam sem parar. O som em alto volume também contribuía para que ninguém ficasse inerte perante músicas como “Rock Out” do novo álbum. Aos gritos, os fãs que já conheciam a música cantavam tanto o refrão como o trecho “You and you and you…”, que funciona muito bem para instigar o público.

Eu nunca havia presenciado um show com todos os instrumentos tão bem equalizados e naquela altura!Dava para ouvir perfeitamente os riffs e solos de Phil Campbell, assim como o ritmo incessante de Mikkey Dee na bateria e o baixo marcante do Sr. Kilmister. Todo o peso e feeling da banda contagiava, mesmo em músicas que eu ainda não conhecia. Infelizmente, em alguns instantes eu notei que o som do microfone de Lemmy estava um pouco baixo, mesmo quando ele falava algo entre uma música e outra, a voz não estava tão nítida assim. Porém do meio pro fim do show, isso foi resolvido (ou meu ouvido que voltou ao normal?).

Por pelo menos duas vezes, Lemmy comentou que a música seguinte tinha sido gravada quando muitos dos ali presentes ainda nem eram nascidos. Uma delas foi em I Got Mine (1983), a outra foi em Bomber ou No Class (ambas de 1979). Com tantos clássicos matadores no setlist, a todo momento alguém se empolgava e tentava dar uma “surfada” (crowd surfing) em meio à densa multidão bem em frente ao palco. Em certo momento, o lendário vocalista brincou com a galera, perguntando algo como “Where are you going?”. Era a deixa para tocar “Going to Brazil”, que foi prontamente identificada e cantada pelos fãs.

O solo de bateria, com combinação de velocidade e viradas típicas de quem toca no ritmo alucinante das bandas de speed/thrash metal, foi um show à parte. No auge do solo, Mikkey Dee jogava várias baquetas ao ar, enquanto continuava tocando, fechando de forma bem empolgante sua apresentação.

Um outro momento marcante do show foi na música “Whorehouse Blues”, com Lemmy na gaita, e Campbell e Dee nos violões (acho que Dee na verdade tocava um baixo acústico…). A levada cadenciada da música foi o descanso necessário para as pauleiras que viriam em seguida. Ace of Spades já havia sido pedida incessantemente na pausa antes do “bis”, e aos primeiros acordes dela, o público enlouqueceu. Eu mesmo, que já tinha me distanciado um pouco do palco pra curtir o show com menos empurrões, voltei pro meio da loucura, em parte por vontade própria, em parte por ter sido arrastado em meio ao imenso “mosh pit” que se formou.

Ao fim da música, Lemmy ainda comentou: “Ah, agora eu vejo que era isso que vocês queriam! Porque não disseram antes?”. E não foi só essa que o público pediu e adorou.” Overkill” era também bastante pedida e sua execução logo em seguida ajudou a encerrar de forma matadora esse grande show, que tirou o fôlego de muita gente, e agradou a praticamente todos. A exceção fica para os que acharam que a “banda mais barulhenta do mundo” (no bom sentido) exagerou no volume. Eu discordo desses e acho que os 130 decibéis citados por Tárcio Fonseca (Folha de Pernambuco) e por Thiago Corrêa (Recife Rock!) vão ficar marcados na história de quem presenciou o show, muito mais pelos seus efeitos positivos do que pelos negativos (se é que existiram). Vida longa ao Motorhead, que passa para seu público o espírito do rock como poucos conseguem fazer!

Por: Rubens Matos

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