Angra (2006)
Evento: Angra em Aracaju
Data: 02/11/2006
Local: Aracaju/SE
As semanas de fim de outubro e início de novembro já estão consolidadas como o período certo para os shows do Angra em Aracaju. Coincidentemente, ou não, as 4 vezes que a banda desembarcou aqui ocorreram neste curto intervalo, talvez por já existir alguma definição da banda de reservar esses meses para os shows pelo nordeste.
Desta vez, houve uma indefinição sobre a data, que perdurou até 3 semanas antes do show, resultando em pouco tempo para divulgação e provavelmente, no público menor em relação a 2005, quando houve um trabalho de divulgação excelente. Outro fator a afastar público pode ter sido o preço do ingresso e a demora em sua venda, já que os mesmos só estavam disponíveis 2 dias antes do show.
Para quem decidiu ir ao show, restava uma surpresa ruim: o atraso de mais de 4 horas para o início do show. Sim, mais de 4 horas, que serviram para 2 coisas, principalmente: deixar a galera colocar os assuntos em dia nas conversas com os amigos e retirar mais uma vez a chance da atração local se apresentar. Fato semelhante ocorreu em 2005, causando o cancelamento da apresentação da Tchandala. Embora o ditado popular diga o contrário, o mesmo raio caiu 2 vezes no mesmo lugar e desta vez com intensidade maior, pois na outra ocasião o horário marcado era 19 horas e o show começou às 21:15. Bem, chega de falar das preliminares! Vamos ao show em si.
Dentro do Gonzagão, o público já ia se dispondo nas melhores posições, e o espaço disponível oferecia opções de se assitir ao show sentado, seja das poltronas ao redor do salão, ou nas arquibancadas, ou curtir em pé mesmo em frente ao palco. A platéia puxava a cortina, antes mesmo de começar a introdução do clássico “Carry On”, que faz qualquer público agitar. No início, o som da guitarra de Kiko estava um pouco baixo, mas logo depois que emendaram com “Nova Era”, conseguiu-se resolver isso. Nessas 2 músicas deu pra sentir que a voz de Edu estava em bom estado e foi ele quem explicou o motivo do imenso atraso, relatando o caos nos aeroportos do país que vinha ocorrendo há vários dias e o acidente sofrido pelo caminhão de transporte dos equipamentos.
Eis que explicada a série de incidentes, começa a execução de “Voice Commanding You”, uma das melhores músicas do recém-lançado “Aurora Consurgens”, na minha opinião. A banda executa maestralmente a canção, assim como várias outras músicas, dentre as quais a excelente “Wings of Reality”, a qual Edu mostrou que consegue sustentar, mesmo não sendo muito adequada para seu tipo de voz e tendo acontecido um fato inusitado: alguém levantou a caixa de retorno de som, que acabou caindo em cima do pé de Edu. Ele continuou cantando (bem) mesmo pulando de dor. Depois da música ele reclamou com o fã, e falou pra não mexerem mais no retorno. O show continuou, inclusive com a execução de ZITO, canção do Holy Land, há muito ausente dos shows do Angra. Senti que nesta música o vocal quase sumia e parecia ser necessário que fosse aumentado o volume do microfone de Edu Falaschi. Um problema que surgiu antes da metade do show e seguiu praticamente até o fim, foi a má equalização da guitarra de Rafael Bittencourt, cujo som sumiu inclusive no momento dos solos dele.
Quanto à participação do público, o maior destaque foi nas músicas do álbum “Rebirth”, embora também tenham sido executados clássicos mais antigos como “Nothing to say”. Nas canções do “Aurora Consurgens” a atenção das pessoas era maior do que a empolgação, o que é normal para todo trabalho novo, porém percebi uma certa insegurança de Edu quanto à letra e ritmo principalmente em “The Course of Nature”, talvez explicada pelo fato da turnê estar bem em seu início.
Com o fim da apresentação em pouco mais de uma hora e vinte minutos, pode-se dizer que embora as coisas poderiam ter sido bem melhores, o grupo demonstrou grande qualidade e vontade em cima do palco, conseguindo agradar muitos, mesmo sem superar shows anteriores.
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