Nas últimas semanas, com o anúncio de alguns shows de bandas médias e grandes pelo Nordeste, vim sentindo um misto de alegria e decepção. A alegria por ver que os fãs de heavy metal da região estavam sendo valorizados, e sentir que os produtores de rock desses estados estão na ativa. Porém, a decepção deve-se ao meu querido estado, Sergipe, que ficou de fora da turnê conjunta do Angra e Sepultura, além da turnês das bandas gringas Omen e Strikemaster.
Há alguns anos a cena “underground” em Aracaju vêm decaindo e muito se especula sobre os motivos. Falta de apoio do público e de locais (baratos) pra se fazer shows decentes estão entre os principais. A bola da vez no papel de “bode expiatório” é o gosto do sergipano pelos covers. O festival Coverama é um sucesso, e está dando espaço a muitas bandas, tanto as “sérias”, que aproveitam o coverama pra tocar algo que gostam, mesmo que não seja seu trabalho autoral, quanto as que só são formadas pra tirar onda, exclusivamente pro festival. Se existe alguma culpa na existência do festival, é a menor de todas, pois duvido que sem ele o cenário estivesse melhor.
Tem muita gente que (diz que) curte rock, mas que não dá 5 reais prum show só de bandas “autorais“, do próprio estado, de outro estado ou até de outro país. Algo lamentável, que talvez seja hoje a regra, e não uma exceção. Desse jeito o ciclo vicioso prossegue: “não vou ao show porque não tem banda boa (sem nem conhecer)” => “não tem banda boa tocando porque ninguém vai aos shows” e assim por diante… Discussões sobre esse problema vem e voltam, pessoalmente ou virtualmente, em fóruns de comunidades do Orkut, como vi recentemente nas da banda “Aliquid” e da produtora “Rock Vivo”. Só sei que das várias pessoas que produziram shows nesses 8 anos que acompanho o underground aracajuano, praticamente todas cansaram ou desistiram. Seja pra bandas grandes ou pequenas, produzir um show de rock em Aracaju virou quase uma missão impossível, coisa de louco ou guerreiro persistente.
Uma luz no fim do túnel (tomara que não seja um trem) pareceu surgir quando vi recentemente que vai rolar o festival Zombeer Fest II, com o Andralls (SP), e mais as sergipanas Karne Krua, Inrisório e Nucleador. Show num local novo, com nome de “Casa do Rock”. Torço pra que o público compareça, e que pelo menos o problema de falta de local seja minimizado com essa “Casa do Rock”. A partir daí o futuro do rock sergipano dependeria mais da vontade e organização de bandas e produtoras e pararíamos de nos lamentar. Ainda tinha muita coisa a dizer sobre o assunto, tanto ideias minhas como de outras pessoas, que vi e ouvi pessoalmente e na Internet, mas tá bom demais. Espero que não fique pruma próxima e que as perspectivas melhorem!

