Finalmente parei para escrever meu primeiro post no blog. Confesso que farei o possível para que eles sejam frequentes. Bom, como o próprio título diz, o tema desse blog é o Rock, mas não é por isso que a inspiração para os textos vai vim do rock propriamente dito e farei de tudo para que não seja. A inspiração desse texto veio de um post do orkut chamado “Que ano estranho”, nele o autor relatava alguns fatos interessantes de 2008, como por exemplo: brasileiro ganhando na fórmula 1, polícia prendendo polícia, argentino aplaudido de pé no mineirão, fluminense na final da libertadores. E segundo ele só faltava uma coisa acontecer: “a Dercy morrer”. Pois bem, com todo respeito pela grande humorista que foi, a Dercy morreu e completou as estranhices deste ano. Foi aí que pensei: no rock as coisas não foram diferentes. Então aproveitando esse clima de início de ano, vamos fazer uma retrospectiva do ano estranho que foi 2008, no rock. Não vou seguir a ordem cronológica das coisas, até porque o horário que escrevo e a minha memória não ajudam.
Comecemos pela maior estranhice de 2008, o “Chinese Democracy”. O eterno “próximo álbum do Guns ‘N Roses” finalmente foi lançado e todos puderam conferir tudo aquilo que atormentava o senhor Axl nesse hiato de material inédito que durou mais de uma década. Tudo bem que para muitos não era novidade, tendo em vista as dezenas de versões vazadas na net nesse meio tempo. Mas ver que finalmente tínhamos um cd inédito da memorável Guns foi realmente estranho. Mas estranho também foi ver o Metallica lançar aquele material inédito. Estranho no bom sentido, depois do “St Anger”, senti foi um certo alívio ao escutar o “Death Magnetic”. Está bom mas não se compara ao velho Metallica - já diziam alguns fãs xiitas nos blogs e posts do orkut. É fã, ainda bem, pense o quão chato seria se as bandas continuassem a lançar a mesma coisa. Claro que temos um limite aceitável para mudanças, e o “St. Anger”, na minha humilde opinião, em parte estava bem longe desse limite. Mas o DM está no limite aceitável. E por falar em Metallica, estranho foi ver eles usarem toda infra-estrutura online para divulgar o novo trabalho. Estranho? Por que? Já me perguntava um leitor esquecido da história. Basta lembrar o caso Napster. Nada como o tempo para mudar as pessoas. Tecnologias on-line são uma realidade hoje e cabe as bandas mudarem seu conceito sobre elas. O Metallica pelo jeito aprendeu a usufruir muito bem delas.
E o Brasil entrando como rota definitiva dos grandes shows internacionais? Isso não é novidade, todo ano tem show aqui. Eis a resposta de mais um leitor desavisado. Então pergunto: em que outra época vimos tanto shows internacionais no Nordeste, hein? Só para relembrar, tivemos Helloween e Gamma Ray (juntos), Scorpions, Symphony-X, Nightwish, Tarja Turunen. Sem falar nos já confirmados para 2009: Alanis Morissette, Motorhead, Iron Maiden. Essa última, sem dúvida, a estranhice mais feliz que escutei nesse ano. Pelo visto, show no Nordeste não vai faltar daqui para frente. Público tem. Se quiser saber um pouco mais sobre o que rolou esse ano aqui no Nordeste, visite o post Recife: o grande palco do Heavy Metal no Nordeste no blog Metal Arretado do nosso amigo Rubens.
E por falar em público, aqui vai o lado triste das estranhices desse ano: o baixo público nos shows locais. Estranho porque leio n comentários nas comunidades que visito reclamando que Aracaju não tem show, e quando tem, o público simplesmente fica em casa. Eu realmente não entendo. Tivemos alguns bons shows esse ano nos quais o público realmente não compareceu. No V Nordextremo, por exemplo, além da presença de uma das bandas revelação do Power Metal brasileiro, a Suprema, tivemos grandes nomes locais. E mais uma vez, o público me decepcionou. A banda é nova, eu não conhecia. Falaria o leitor que gosta de dar desculpas. Então senhor leitor, pegue como exemplo agora o show do Andre Matos e me diga se o público presente era digno da história e importância que esse cara tem para a música nacional, hein? Talvez você não saiba me responder, pois não devia está presente. Então para ajudar digo que o espaço interno da ATPN não estava lotado e quem conhece o espaço sabe que não reclamei somente por reclamar. E por falar em ATPN, nesse ano vimos nosso querido espaço de shows acabar. Tantos eventos e histórias vão ficar agora apenas em nossa memória. A ATPN foi vendida e vai virar um hotel-escola. Vida longa a ATPN, na história. E para fechar as estranhices de público em Aracaju, tivemos o Almah cancelado. Falam que apenas 10 ingressos foram vendidos, isso é realmente lamentável. Mas não só de estranhices tristes viveu os shows em nossa cidade. Vimos a The Warlord retornar aos palcos para um grande tributo ao Black Sabbath, o Coverama se consolidando cada vez mais como o maior o evento de bandas cover do Brasil, alguns workshops passando em nossa cidade (como o do Ricardo Confessori), os Mutantes tocando de graça em Aracaju e o rock aparecendo no interior do estado cada vez mais forte. O Rock Sertão que o diga.
Voltando a esfera nacional/internacional, tivemos o Avantasia saindo em turnê mundial com grande elenco e mais uma série de shows que vem somar aos já citados, são eles: Ozzy Osbourne, Dream Theater, Bob Dylan, Deep Purple, My Chemical Romance, Within Temptation, John Mayall, Whitesnake, Suicidal Tendencies, Johnny Rivers, R.E.M., The Cult, Paradise Lost.
2008 foi estranho também pelo retorno dos que nunca foram. Os Mutantes lançando música inédita. O Queen subindo aos palcos e emocionando milhares de pessoas, mesmo sem o eterno ícone Freddie Mercury. O Led Zeppelin na novela se volta ou não volta a fazer shows. O AC/DC lançando material inédito.
É meu amigo leitor paciente, 2008 realmente foi estranho. E 2009 parece que não vai ser muito diferente disso. Show internacional em Aracaju e versão brasileira do WOA são apenas alguns exemplos do que nos aguarda. Espero que as boas estranhices como estas continuem surpreendendo o mundo do rock cada vez mais. Essa é a graça de falar desse estilo, história nunca vai faltar. Até a próxima!